O que é a Legionella?

Em 1976, durante uma Convenção da Legião Americana num hotel em Filadélfia, foram registados 221 casos de pessoas com sintomas de pneumonia e 34 mortes. Somente em 1977 é que se descobriu que a causa deste surto foi uma bactéria, posteriormente designada de Legionella. De momento são conhecidas 53 espécies de Legionella, sendo que a mais patogénica é a estirpe Legionella pneumophila.

A Legionella encontra-se nos ambientes aquáticos naturais, tais como lagos e rios. No entanto, pode colonizar os sistemas artificiais de abastecimento de água, desde que encontre as condições favoráveis à sua multiplicação tais como a existência de nutrientes na água (biofilmes), estagnação da água (grandes reservatórios, tanques) e fatores físico-químicos (temperatura, pH e corrosão das condutas).

Em Portugal a doença foi detetada pela primeira vez em 1979 e pertence à lista das Doenças de Declaração Obrigatória (DDO). Em Portugal foi implementado em 2004 um Programa de Vigilância Epidemiológica Integrada da doença dos Legionários (Circular Normativa nº05/DEP) e de investigação epidemiológica (Circular Normativa nº6/DT).

Impacto na saúde

A Legionella não é transmissível de pessoa para pessoa, nem pela ingestão de água contaminada. A sua transmissão apenas ocorre através da inalação de gotículas de água (aerossóis). A maioria das infeções está associada a ambientes sujeitos à intervenção humana onde temperatura da água é elevada, aumentando a concentração da bactéria. As infeções podem dar origem a dois tipos de doenças, nomeadamente:

  • Febre de Pontiac: sintomas semelhantes aos da gripe. Afeta 90 a 95% das pessoas expostas. A recuperação acontece entre 2 a 5 dias, muitas vezes sem tratamento;
  • Doença dos legionários: é uma infeção pulmonar grave e possuí um período de incubação de 2 a 10 dias. Os principais sintomas são: tosse, febre alta e em alguns casos dores musculares. A infeção apesar de grave possui tratamento, no entanto em casos mais extremos pode ser letal.

O risco de infeção depende de vários fatores, tais como:

  • Concentração de bactéria inalada;
  • Eficácia da formação e disseminação de aerossóis;
  • Tempo de exposição;
  • Idade e estado de saúde.

Quais as áreas de risco em Hotéis?

Geralmente locais onde se formem aerossóis, tais como:

  • Sistemas de ar condicionado
  • Torres de arrefecimento
  • Fontes ornamentais
  • Chuveiros e torneiras
  • Jacuzzis
  • SPA’s
  • Aspersores de rega.

Como reduzir o risco?

A estratégia principal de prevenção da Doença dos Legionários consiste em evitar o desenvolvimento de condições que favoreçam a multiplicação da bactéria, nomeadamente nos sistemas e redes de água, e nos sistemas e condutas de ar condicionado.

Nos empreendimentos turísticos e de forma a reduzir o risco, recomenda-se:

  • Manter a água quente acima dos 70ºC e a fria inferior a 20ºC;
  • Inspecionar as temperaturas dos depósitos/termoacumuladores diariamente.
  • Nos quartos com menor ocupação, devem-se abrir os terminais (torneiras e duches) durante 5 minutos antes da ocupação seguinte.
  • Manter todos os terminais e canalização em bom estado de conservação.
  • Utilizar materiais de qualidade.
  • Possuir um programa de controlo e prevenção da Legionella, através da contratação de empresas especializadas e/ou formar a equipa de manutenção (caso exista).

Um empreendimento turístico que não possua um programa de controlo e prevenção da Legionella poderá colocar em risco a saúde dos seus hóspedes e dos seus colaboradores.